domingo, 2 de janeiro de 2011

Será que fatores emocionais influenciam no surgimento do diabetes?

O pai da Medicina, Hipócrates, disse: “Mais importante do que saber que doença tem a pessoa, é saber que pessoa tem a doença.” Ou seja, a maneira como funciona a mente (razão e emoção) da pessoa tem muito que ver com a doença dela. Corpo e mente atuam juntos para a saúde ou para a doença. Não adoecemos por compartimentos. Uma enfermidade pode se apresentar num determinado órgão ou sintoma, mas o todo – corpo e mente – estão envolvidos, um tentando ajudar o outro, um sofrendo com o outro.

O Diabetes é uma doença causada por fatores múltiplos. Ela é, fisicamente, caracterizada pelo aumento da glicose (açúcar) no sangue. O Diabetes Tipo 1 atinge crianças e adolescentes e a Tipo 2 atinge principalmente uma população entre 30 e 69 anos, embora já surjam casos também em crianças devido à obesidade e sedentarismo infantil.

Sintomas principais de Diabetes são: muita sede, muita fome e muita urina. Outros são: sonolência, dores generalizadas, formigamentos e dormências, cansaço doloroso nas pernas, câimbras, nervosismo, indisposição para o trabalho, desânimo, turvação da visão, etc.

Os sintomas principais ocorrem porque com o aumento do açúcar no sangue (hiperglicemia), o corpo produz a sede para a pessoa beber água, e eliminar este excesso de glicose pela urina. E há muita fome porque a glicose não entrando na célula para produzir energia, deixa a pessoa fraca. Daí o corpo “pede” comida.

O açúcar não entra na célula porque há um problema nos receptores (“portas” de entrada da célula) dela. Uma dieta gordurosa e vida sedentária favorecem o mal funcionamento destes receptores. Daí que se o diabético, especialmente Tipo 2, começa a praticar uma dieta vegetariana e exercícios físicos, melhora bastante e pode a vir a ter níveis normais de glicose no sangue e recuperar a saúde. Pode-se prevenir o Diabetes Tipo 2 evitando o excesso de peso (reeducação alimentar) e combatendo o sedentarismo (falta de atividade física). No Diabetes Tipo 1 pode-se prevenir as complicações com dieta, exercícios físicos e equilíbrio emocional.

Muitos diabéticos sabotam o tratamento por motivos variados e determinados por aspectos profundos do emocional do indivíduo, alguns dos quais inconscientes. A rejeição da doença piora o quadro clínico. Cada diabético enfrenta a doença de maneira diferente de acordo com a sua estrutura psíquica ou organização mental pessoal.

Vários autores consideram o Diabetes uma doença psicossomática, ou seja, que possui fatores emocionais em sua causa. A doença psicossomática surge em decorrência do modo como a pessoa vivencia as emoções.

Quando não expressamos nossas emoções devidamente, elas podem ser descarregadas em alguns órgãos, como no estômago, intestinos, coração, vasos sanguíneos, pele, etc. Uma agressividade contida pode estourar na própria pessoa. “A incapacidade de comunicar com palavras os seus pensamentos faz com que essa pessoa ‘fale’ com a ‘linguagem dos órgãos’, ou seja, o adoecer de determinado órgão é a forma inconsciente do indivíduo proclamar seu sofrimento, por não conseguir fazê-lo de outra forma...” (Silva, M.A.D. da, “Quem ama não adoece”, 1994, citado em “Reflexões sobre o Diabetes Tipo 1 e sua relação com o emocional”, D.B.Marcelino, M.D.B. Carvalho, Universidade Estadual de Maringá; Psicologia: Reflexão e Crítica, 2005, 18(1), pp.72-77).

Isto não quer dizer que todas as doenças são causadas só por aspectos emocionais, mas provavelmente também por eles. Daí relembre o que disse Hipócrates, que entender a pessoa doente é mais importante do que entender a doença isolada dos aspectos gerais da pessoa, tais como a maneira como ela vive as emoções em suas relações consigo mesma, com os outros, com a vida, com Deus. Na próxima parte seguimos com esta reflexão sobre os aspectos emocionais no Diabetes



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